Advogado denuncia ter sido vítima de racismo em pastelaria

Flavio Roberto de Moura Campos afirmou que as atendentes do estabelecimento trataram a ele e a sua família de forma desrespeitosa.

REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM

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O advogado Flavio Roberto de Moura Campos denunciou na Delegacia de Crimes Raciais que ele e a sua família foram vítimas de racismo em uma pastelaria no último sábado (19), na Avenida Paulista, em São Paulo.

Campos relatou que a irmã e tia pediram um yakisoba e a atendente informou que o pedido não poderia ser preparado. Ele e a família decidiram permanecer no restaurante e pedir pastéis. Um casal branco chegou ao estabelecimento e solicitou yakisoba – uma funcionária imediatamente iniciou o preparo.

Em vídeo postado no seu Instagram, o advogado relatou o caso e contou que antes de perceber o racismo achou que o atendimento ruim era “coisa da nossa cabeça”.

“De forma muito estranha e desrespeitosa as demais funcionárias riam entre si e faziam cara de deboche”, relatou Flavio.

 

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!!!!!!!!!!!!! CASO DE RACISMO !!!!!!!!! Pensei o dia todo se valeria ou não postar esse vídeo, mas depois de muita reflexão, choro e dor resolvi não mais me calar!!! Não quero mais me calar, não aceito mais. Ontem estava com a minha família em uma das franquias do famoso Pastel da Maria que fica na Avenida Paulista, n° 1941. Quando fomos fazer o pedido rebemos um tratamento horrível por parte do senhor do caixa que sai na filmagem, além disso, de forma muito estranha e desrespeitosa as demais funcionárias riam entre si e faziam cara de deboche. Achamos que era “coisa da nossa cabeça” ou um atendimento ruim generalizado. Minha irmã e minha tia pediram um yakissoba para dividirem, quando o atendente foi até a chapa onde é preparado e voltou com a expressão debochada afirmando que não estavam mais preparando e somente teriam no dia seguinte. Assim, todos nós comemos pastel, crentes de que não havia como preparar o yakissoba, até que, antes de terminarmos de comer, CHEGOU UM CASAL DE BRANCOS, LOIROS, pediram um yakissoba e para nossa surpresa, foram prontamente atendidos e receberam o pedido, como vocês podem ver no vídeo. Nem esperaram a gente ir embora e prepararam o yakissoba na nossa frente! Na nossa frente! Tamanha humilhação!!! Olha, eu não quero nada de ninguém, conquisto minhas coisas com o suor do meu trabalho. Também sei que o dano moral por ser consumidor e por ter sofrido racismo, não ultrapassa a casa dos quatro dígitos e jamais geraria nada na minha vida. Só quero que vocês saibam que o Pastel da Maria da Avenida Paulista n° 1941 é RACISTA por ter funcionários RACISTAS e que eu me cansei de me calar diante dos olhares, palavras e maus tratos que recebo todos os dias. Eu estava com a minha família, só queríamos jantar, tínhamos dinheiro, nos comportamos bem, não ofendemos ninguém, pedimos com educação, mas, somos pretos, né! Chega de se calar!!! Não mais será silenciada ou normalizada qualquer atitude racista, por menor que seja. Não vou concentrar a dor do silêncio. #racismo #denuncia #pasteldamaria #naoaoracismo @pasteldamaria_paulistaoficial

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Segundo o site Extra, o gerente da pastelaria, Fábio Hokama, afirmou que o pedido do advogado não foi atendido pois não estava disponível a opção de yakisoba grande, solicitado por Flavio. Como o outro casal tinha pedido a porção menor, eles foram atendidos.

Fábio Hokama acredita que o caso não representa racismo, e que o que aconteceu foi uma falha de comunicação, pois Flavio não sabia que o casal tinha pedido a porção menor. O advogado afirma, contudo, que a irmã perguntou se não havia nenhum yakisoba e os funcionários afirmaram que só teria no dia seguinte.

A empresa “Pastel da Maria” afirmou que repudia qualquer ato de racismo e lamenta a situação vivida pelo cliente. A pastelaria afirmou que é apenas fornecedora do local e não gerencia a loja citada por Flavio.

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