Mulher recebe alta após perder bebê e passar 84 dias internada por Covid-19

Familiares se emocionaram com a alta de Priscila Silva dos Santos, de 35 anos, que viveu dias difíceis após ser contaminada pelo novo coronavírus em Santos, no litoral paulista.

Priscila estava grávida de oito meses quando foi diagnosticada com Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal

Priscila estava grávida de oito meses quando foi diagnosticada com Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal

Depois de 84 dias de internação, a promotora de vendas Priscila Silva dos Santos, de 35 anos, recebeu alta hospitalar em Santos, no litoral de São Paulo. Ela passou 60 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e perdeu o filho no 8º mês de gestação devido a complicações da Covid-19. Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (30), o marido dela, o autônomo Thiago Martins de Maria, de 36 anos, relatou como a recuperação da esposa foi emocionante para toda a família.

Priscila foi internada no dia 6 de maio no Hospital Ana Costa. Ela estava grávida de oito meses e testou positivo para Covid-19. A promotora de vendas tem bronquite asmática, mas há anos não tinha crise, segundo explica o marido.

“Eu, ela, nosso filho de 7 anos, minha sogra e sogro e meus três cunhados pegamos Covid-19. Só que ela foi a que ficou pior”, conta Thiago. Segundo explica, quando ela foi internada, a família acreditou que não seria nada tão demorado ou grave. Porém, no dia 7 de maio, Priscila já foi encaminhada para a UTI e entubada.

“No dia 8, eles estabilizaram ela e fizeram o parto, mas infelizmente o bebê já estava sem vida, por insuficiência respiratória. Os médicos nos falaram que foi por conta das complicações da Covid-19. Ele foi um bebê planejado e muito desejado, se chamaria Miguel. Perdê-lo foi muito dolorido para a gente. Estava tudo pronto para receber ele, tudo comprado, roupa, berço, carrinho”, conta o marido.

De acordo com Thiago, dos 84 dias em que ficou internada, Priscila passou 40 deles em coma e 60 na UTI. Foram dias difíceis para ele e o filho. “Passei dias sem trabalhar, porque estava muito preocupado com toda a situação”, conta. Além disso, ele e o filho ficaram em quarentena porque também pegaram a doença.

“Ela foi muito guerreira, a gente chegou a ficar desanimado, sem acreditar mais, porque só recebíamos boletins ruins. Até então, ela não reagia a medicação nenhuma. Teve duas paradas cardíacas, convulsão e trombose. O que os médicos diziam muito para a gente era ‘se apega a Deus’, e foi o que fizemos, oramos. Sofremos muito, foram dias muito angustiantes”, diz.

Priscila recebeu alta nesta quarta-feira (29) e já está em casa, mas ainda faz uso de um concentrador de oxigênio, por orientação médica, devido ao tempo que ficou internada. “O fisioterapeuta falou que vai fazer o ‘desmame do aparelho’ , essa é a parte dela recuperar o pulmão com fisioterapia e exercícios, com o tempo mesmo”.

A alta foi marcada pela emoção para Priscila, família e amigos, e também para a equipe do hospital. “Depois de tudo o que passamos, eu quero reforçar que essa é uma doença muito séria e que é preciso se cuidar. É uma doença triste, que destrói muitas famílias. Já éramos muito unidos, mas depois de passar por tudo isso, temos outra visão da vida. Coisas bem simples, que antes não tinham valor, agora têm. O dia da alta foi uma data que sonhamos muito, demorou, mas tivemos o privilégio de viver isso. Graças a Deus, apesar da perda do bebê, no fim, entramos para a estatística positiva”, finaliza Thiago.

Segundo Thiago, bebê era muito planejado e desejado por ele e a esposa — Foto: Arquivo Pessoal
Segundo Thiago, bebê era muito planejado e desejado por ele e a esposa — Foto: Arquivo Pessoal
Priscila se emocionou durante alta nesta quarta-feira (29) — Foto: Arquivo Pessoal
Priscila se emocionou durante alta nesta quarta-feira (29) — Foto: Arquivo Pessoal
Família em visita a Priscila enquanto ela ainda estava no hospital — Foto: Arquivo Pessoal