Governo de SP afrouxa regras em plano de flexibilização do estado

Mudanças passam a valer a partir do dia 31 de julho e têm como objetivo disponibilizar leitos destinados à covid-19 a pacientes com outras doenças.

Governador anuncia mudanças em plano de flexibilização de SP (Foto: Divulgação)

Governador anuncia mudanças em plano de flexibilização de SP (Foto: Divulgação)

O governador de São Paulo, João Doria anunciou, nesta segunda-feira (27) novas regras para o plano de flexibilização da quarentena nos municípios paulistas, chamadas de “recalibragem técnica”. A principal alteração anunciada pela equipe econômica e pelo Centro de Contingência foi o afrouxamento no índice mínimo de ocupação dos leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva).

As mudanças anunciadas na centésima coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes passam a valer a partir do dia 31 de julho. “O objetivo é aprimorar o plano para deixá-lo mais adequado” disse Doria. “O plano é eficiente por ser uma ferramenta dinâmica e não estática ao combate à pandemia.”

Atualmente, para que uma cidade possa evoluir para a fase verde, em que mais setores econômicos são autorizados a reabrir, ela deve ter sua taxa de ocupação das UTIs abaixo dos 60%. Isso obriga a cidade de São Paulo a contratar leitos em hospitais particulares.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, afirmou que as mudanças estão baseadas nos seguintes critérios: estabilidade, com a implementação de regras que gerem maior estabilidade para a transição de fases das regiões do plano SP; liberação de capacidade hospitalar: novas regras de capacidade hospitalar para redirecionar leitos ociosos e a atualização na régua de dos indicadores de internações e óbitos para incorporar números totais.

O percentual foi alterado para 70% por algumas razões: primeiro, porque nas cidades em que a pandemia vive momento de estabilidade, a ocupação de 70% não é tão ameaçadora, pois o número de casos tem tendência de queda.

Segundo, porque, com tal flexibilização, seria possível deslocar alguns leitos de UTI exclusivos para covid que estão ociosos para atender pacientes com outras doenças.

Para secretário executivo do Comitê de Contingenciamento, João Gabardo, a epidemia não ocorreu da mesma forma em todo o Estado. Ela se iniciou mais tarde em algumas cidades do interior e, por isso, deve acabar mais tarde nesses municípios. “É muito ruim quando um município altera de uma fase para a outra e na próxima semana precisa retornas. Então, esse ajuste dá uma estabilidade maior no faseamento.”

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a gestão de Bruno Covas (PSDB) pretende retomar procedimentos como cirurgias eletivas utilizando partes dos leitos abertos para covid que não estão sendo necessários por causa da queda de internações.

Na ocasião, o município tinha 1.047 leitos de UTI disponíveis para doentes com coronavírus, dos quais 478 estavam vazios, o que representava uma taxa de ocupação de 54%. Se cem desses leitos fossem dedicados a outras enfermidades, por exemplo, esse índice já subiria para 60% mesmo que o total de internados continuasse igual, impedindo, assim, a evolução da cidade de São Paulo no plano de flexibilização.

Segundo o secretário de saúde de São Paulo Jean Gorinchteyn, o estado registrou 487.654 casos e 21.676 óbitos, sendo 3.672 casos por dia.