Pane no motor é uma das hipóteses investigadas para queda do avião que matou piloto

Aeronáutica e Polícia Civil apuram, respectivamente, causas técnicas e eventuais responsabilidades pelo acidente que matou o piloto Paulo de Magalhães Pereira na quarta (8). Além de falha mecânica, também será apurada falha humana.

Avião de pequeno porte cai próximo ao Campo de Marte, em SP — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Avião de pequeno porte cai próximo ao Campo de Marte, em SP — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Pane no motor é uma das hipóteses que estão sendo investigadas pelas autoridades para tentar explicar a queda do avião de pequeno porte que matou o piloto, na noite de quarta-feira (8) na Zona Norte de São Paulo. A informação divulgada pelo portal G1, foi confirmada nesta quinta-feira (9) por fontes aeronáuticas e policiais.

A Aeronáutica e a Polícia Civil apuram, respectivamente, as causas técnicas e eventuais responsabilidades criminais pelo acidente aéreo que matou o piloto Paulo de Magalhães Pereira, de 48 anos, na Avenida Braz Leme.

“Registramos o boletim de ocorrência e vamos instaurar inquérito para acompanhar”, afirmou o delegado Osvany Zanetta, titular do 13º Distrito Policial (DP), Casa Verde.

“A polícia vai tentar descobrir, com base na informação técnica e outros elementos que eventualmente venha a colher sobre o fato, se há conduta criminosa ou não”, completou Marco Antonio Pereira Novaes de Paula Santos, delegado da 4ª Seccional Norte.

Peritos do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV) e da Polícia Técnico-Científica foram ao local da queda, na manhã desta quinta, analisar os destroços da aeronave.

Por meio de nota, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que vai apurar as prováveis causas da queda do avião para depois divulgar um relatório para prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram.

Avião cai na região do Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo
Avião cai na região do Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Relatos da queda

Segundo testemunhas que passavam pelo local da queda no instante do acidente, o avião explodiu após bater no canteiro central da avenida. O corpo do piloto foi carbonizado.

“Foi muito rápido, mas tenho quase certeza de que o avião não caiu pegando fogo. Acho que a forte explosão aconteceu no contato com solo”, contou o engenheiro civil Fausto Batista, que estava a cerca de 50 metros do local do acidente.

O bimotor, BE-58, prefixo PR-OFI, vinha de Ubatuba com destino ao Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte, e ao tentar realizar o pouso caiu por volta das 18h na avenida. O voo do litoral a capital leva, em média, 40 minutos.

Na manhã desta quinta-feira, o pai do piloto voltou ao local do acidente, mas não quis falar com a imprensa. Na quarta, ele havia tido que reconheceu a aeronave como sendo do filho ao vê-la pegando fogo na TV.

“Quando eu olhei [o acidente] eu conheci o avião e falei: é ele. E sai correndo”, lamentou Luiz Antonio Silva Pereira, que lembrou que Paulo estava feliz. “Tinha as carteiras todas em dia, o exame de saúde em dia, estava contente”.

Outras hipóteses

Além de possível falha mecânica no avião, o Seripa IV também vai apurar se teve falha humana ou até as duas possibilidades juntas.

O 13º DP aguardará o resultado dos laudos do Seripa e do Instituto de Criminalística (IC) para depois saber se a causa da queda da aeronave que matou o piloto ocorreu por imperícia, imprudência ou negligência de alguém.

Áudio

Antes do acidente, o controlador de voo da torre de controle do aeroporto falou para outros pilotos tomarem cuidado porque o avião estava em “emergência” e iria pousar no Campo de Marte. A gravação do áudio circula nas redes sociais (ouça acima).
Segundo aeronautas, o piloto da aeronave caiu ainda tentou conversar com o controlador sobre o local onde deveria aterrissar. Em seguida outra pessoa diz: “o avião caiu”.

Com a possibilidade do pouso de emergência da aeronave no aeroporto, a equipe dos bombeiros da Infraero, que administra o Campo de Marte, se posicionou caso houvesse algum problema na aterrissagem.

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