Pai de piloto morto diz que reconheceu avião quando viu acidente; via permanece interditada

Avenida Braz Leme continua internado na manhã desta quinta (9). No momento do acidente, várias pessoas caminhavam e pedalavam no canteiro central da via.

Avião de pequeno porte cai próximo ao Campo de Marte, em SP — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Avião de pequeno porte cai próximo ao Campo de Marte, em SP — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O pai do piloto Paulo de Magalhães Pereira, que morreu no início da noite desta quarta-feira (8) após a queda de uma aeronave de pequeno porte na Avenida Braz Leme, ao lado do Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, disse que reconheceu o avião em que o filho estava ao ver o acidente.

“Quando eu olhei [o acidente] eu conheci o avião e falei: é ele. E sai correndo”, lamentou Luiz Antonio Silva Pereira, pai do piloto.

Ele lembrou que o filho estava feliz. “Tinha as carteiras todas em dia, o exame de saúde em dia, tava contente”. O piloto estava sozinho na aeronave.

Os peritos voltaram ao local por volta da meia-noite, cerca de 6 horas após o acidente. A Avenida Braz Leme, uma das principais da Zona Norte, chegou a ser interditada nos dois sentidos.

A Braz Leme continua internada na manhã desta quinta-feira (9). Por volta das 6h30, a via continuava totalmente interditada no sentido bairro, já que os destroços do avião continuam no local. Os peritos do Cenipa retornaram por volta das 6h40 para concluir a perícia durante o dia.

No sentido Centro, uma das três faixas estava liberada para a passagem de veículos. As vias serão liberadas após a limpeza que será realizada pela Subprefeitura da Casa Verde.

© Divulgação/Bombeiros PMESP
© Divulgação/Bombeiros PMESP

Acidente

Um motorista que passava próximo ao acidente presenciou a explosão e gravou um vídeo. O avião caiu na Avenida Braz Leme, na altura do número 1.300, entre as ruas Santo Anselmo e Tibães, em Santana.

No momento do acidente, por volta das 18h, muitas pessoas caminhavam e pedalavam no canteiro central da avenida. Após a queda, o avião pegou fogo.

Em nota, a Infraero lamentou o acidente e disse que “os bombeiros do aeroporto foram acionados às 18h14 para prestar os primeiros atendimentos à aeronave”. Segundo a estatal, o avião, um bimotor de modelo BE-58, prefixo PR-OFI, vinha de Ubatuba e, ao tentar fazer o pouso, apresentou problemas e acabou caindo na avenida Braz Leme.

De acordo com uma equipe do Corpo de Bombeiros, o piloto tentou um pouso de emergência por causa de pane no motor. Sete viaturas dos Bombeiros foram enviadas para o local. O incêndio foi controlado por volta das 18h40.

Em nota, a Aeronáutica disse que vai apurar as prováveis causas do acidente pelo Seripa IV, órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), e elaborar relatório para “prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram”. Já a Polícia Civil de São Paulo deve investigar as causas e eventuais responsáveis.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirma que, de acordo com consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave acidentada estava com a documentação válida. O avião não possuía registro para operar táxi aéreo.

Um engenheiro civil presenciou a explosão, que ocorreu na pista sentido bairro.

“Eu estava dirigindo pela Braz Leme, estava a uns 50 metros do avião quando eu ouvi uma explosão e aí vi uma bola pegando fogo. Quando cheguei mais perto explodiu um pouco mais”, conta o engenheiro civil Fausto Batista.

Ele chegou a parar o carro e desceu do veículo para tentar ajudar, mas não conseguiu chegar perto da aeronave. “Eu consegui ver um corpo, mas não tinha como chegar perto. Estava pegando fogo ainda e estava muito quente perto. Eu só não entendi se estava decolando ou chegando porque o muro do aeroporto parecia que não foi abalado. Eu parei pra tentar ajudar mesmo, mas não dava”, relata.