Família acusa parque de negligência após jovem morrer em cachoeira: ‘Não orientaram’

Família afirma não ter recebido orientação ou respaldo de parque. Fundação Florestal nega a acusação e diz ter prestado toda a ajuda necessária.

Jovem estava com um grupo de amigos e familiares na cachoeira da Capelinha, em Cajati, SP — Foto: Reprodução/Facebook

Jovem estava com um grupo de amigos e familiares na cachoeira da Capelinha, em Cajati, SP — Foto: Reprodução/Facebook

A família de Maria Fernanda Fagundes Sobrinho, de 19 anos, que morreu após se afogar na Cachoeira da Capelinha, em Cajati, no interior de São Paulo, alega negligência do Parque Estadual do Rio Turvo (PERT). Segundo o irmão da vítima, não havia placas que indicavam que o local do acidente era mais fundo e os monitores demoraram para prestar suporte a família. A Fundação Florestal nega e afirma ter prestado todo a ajuda necessária.

De acordo com o faturista Willian Douglas Fagundes, de 34 anos, a irmã era bem cuidadosa quando entrava na água e tinha medo de ir para locais fundos. “Até se alguém brincava jogando água no rosto, ela não gostava, porque tinha receio”, diz.

O irmão ainda relata que os bombeiros explicaram que na cachoeira havia um sumidouro – parte mais funda da cachoeira – e que a irmã se afogou ao ser arrastada pela água para esse local. “Questionei um funcionário sobre isso e ele disse que eles nem sabiam que havia esse sumidouro. Não tem uma placa indicativa e não fomos orientados por monitores. A única coisa que nos falaram foi sobre o uso da churrasqueira, que era pago”, relatou.

Conforme havia sido informado pela Fundação Florestal (FF) ao G1, informações preliminares indicavam que as duas jovens teriam se afogado após se separarem do grupo para fotografar a Cachoeira da Capelinha. Willian nega a versão do órgão ambiental.

“Não existe panfletagem lá explicando a área que ficava o sumidouro. Se tivesse, minha irmã não iria lá, porque ela sempre foi medrosa. E essa história de tirar selfie, eu estou com o aparelho dela e não tem nenhuma foto lá. Tem um vídeo da cachoeira, mas feito bem antes dela entrar na cachoeira”, diz.

Jovem morava em Curitiba e voltou a cachoeira para tirar uma selfie — Foto: Reprodução/Facebook
Jovem morava em Curitiba e voltou a cachoeira para tirar uma selfie — Foto: Reprodução/Facebook

De acordo com o faturista, a família fazia um churrasco, o que é permitido no local, metros acima de onde está localizada a cachoeira. Em seguida, a irmã e a amiga falaram que iriam retornar para água e ele autorizou.

“Eu fiquei terminando de arrumar as coisas no carro. Minha namorada estava lá com elas e pediu para ela ficar por perto. Quando ela virou, já avisaram que elas estavam se afogando. Foi muito rápido. Nisso, ela já tentou ajudá-las, mas só deu tempo de puxar a amiga da minha irmã, porque a Fernanda já tinha sumido na cachoeira”.

Segundo o irmão, ele, a família e amigos já haviam ido nesse local no Natal, já que familiares de sua namorada moram lá. “Me falaram que não é o primeiro caso no parque de afogamento. Minha namorada chamou o monitor após o ocorrido e eu tive que chamá-lo de novo. Levou mais de 40 minutos para que alguém do parque descesse para ver a situação e mais de uma hora e meia para chegar uma corda que nós pudéssemos tentar salvá-la. Após a morte dela, não tivemos nenhum contato do parque ou apoio, só apareceu um responsável que nos deu um café na hora”.

“O que era para ser lembrado com um dia bom, se tornou um dia muito triste. Minha mãe só chora. Estou sofrendo muito porque a criei como filha. Ela era nova, tinha planos, estudava e queria ter um grande futuro pela frente. Entraremos com uma ação contra o parque, não pelo dinheiro, porque nada paga a vida da minha irmã, mas para que algo seja feito ou reforçado ali, para que nenhuma outra família sinta a dor que estamos sentindo”, finaliza o irmão.

Relembre o caso

A jovem de 19 anos morreu após se afogar na Cachoeira da Capelinha, em Cajati, no interior de São Paulo. Maria Fernanda Fagundes Sobrinho é de Curitiba, no Paraná, e estava com amigos e familiares.

A Fundação Florestal afirma que eles chegaram ao Parque Estadual do Rio Turvo (PERT) por volta das 10h de domingo (12) para visitar a cachoeira e foram recebidos por monitores, que passaram todas as orientações conforme protocolo das unidades. A família nega que recebeu orientação.

Por volta das 13h30, o grupo que estava com ela decidiu que iria embora e seguiu sentido trilha. A jovem e uma amiga de 17 anos resolveram voltar para água. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ambas ficaram na margem da cachoeira e, em um determinado momento, o volume da água aumentou rapidamente, e as duas afundaram.

Uma das pessoas que estava no grupo conseguiu puxar umas das adolescentes para a superfície. Já o corpo da jovem foi localizado às 19h30. Ela foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) e o caso, registrado como óbito – morte natural, na Delegacia de Cajati, segue em investigação.

Fundação Florestal afirma que há placa de aviso sobre perigo em cachoeira, família afirma não ter recebido orientação — Foto: Divulgação/Fundação Florestal
Fundação Florestal afirma que há placa de aviso sobre perigo em cachoeira, família afirma não ter recebido orientação — Foto: Divulgação/Fundação Florestal

Fundação Florestal

Em nota, a Fundação Florestal (FF) lamenta a morte da jovem e afirma que após o acidente, os funcionários do PERT acionaram o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. A Fundação garante que o local possui sinalizações e monitores que alertam sobre os cuidados a serem tomados durante o passeio, tais como riscos de afogamento, trombas d’água e não consumir bebida alcoólica nas dependências do parque. Não há registros anteriores de acidentes fatais nesta área.

De acordo com a FF, o grupo de 15 pessoas chegou ao PERT por volta das 10h do último domingo (12) e foi recebido por uma monitora, que passou todas as orientações conforme protocolo das unidades. Neste período de verão, os alertas e orientações de segurança aos visitantes foram intensificados em todas as áreas geridas pela FF, além do reforço dos avisos nas mídias sociais.

O PERT recebe cerca de mil visitantes por mês e possui uma área de 73.897 hectares. A cachoeira possui entre quatro e seis metros de profundidade e fica a cerca de 200 metros da sede da unidade. A caminhada até a queda d’água é autoguiada.

Cachoeira em que jovem morreu em Cajati, SP, possui entre quatro e seis metros de profundidade — Foto: Divulgação/Fundação Florestal
Cachoeira em que jovem morreu em Cajati, SP, possui entre quatro e seis metros de profundidade — Foto: Divulgação/Fundação Florestal