Suzane perde e Justiça autoriza publicação de livro sobre o crime

Defesa de Suzane von Richthofen já recorreu da decisão por alegar que ela nunca foi ouvida pelo autor e que no livro há fatos não verídicos

Suzane alega que não foi ouvida e que fatos narrados no livro não são verdadeiros Robson Fernandjes/29.06.2005/Estadão Conteúdo

Suzane alega que não foi ouvida e que fatos narrados no livro não são verdadeiros Robson Fernandjes/29.06.2005/Estadão Conteúdo

O Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu um pedido de liminar feito pela defesa de Suzane von Richthofen para tentar barrar a publicação do livro “Suzane-Crime e Punição”, escrito pelo jornalista Ulisses Campbell. Segundo o autor, não é uma biografia, mas um livro-reportagem escrito em forma de romance policial. A advogada Jaqueline Beatriz Domingues, que representa Suzane, afirmou que ela não tem interesse na publicação e que nunca foi ouvida pelo jornalista, por isso há fatos não verídicos.

Ulisses Campbell revelou ao R7 que ficou surpreso com a atitude antecipada de Suzane, uma vez que o mais comum é a pessoa esperar a publicação para depois contestar na Justiça o conteúdo veiculado. “A Suzane alega que o livro desabona a honra dela, mas isso quem faz é o crime que ela cometeu e não o livro”. O autor completa que ela afirmou que pretende “ser esquecida e que já cumpre a pena estabelecida pela Justiça”.

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Jaqueline Domingues afirmou que Suzane nunca foi ouvida pelo autor. Mas Ulisses revelou que ela foi procurada várias vezes e que, na última oportunidade, ela falou que colaboraria com a obra desde que ele não abordasse a temática da religião. Ulisses não aceitou: “O capítulo é importante para a obra. Suzane já foi luterana, católica, aprendeu o terço, flertou com o espiritismo e agora é evangélica e quer ser pastora”, disse. Suzane teria também dito que teve muitas experiências negativas com a imprensa.

Para escrever o livro, que tem cerca de 300 páginas e lançamento previsto para o início de 2020 pela editora Contexto, o jornalista fez centenas de entrevistas. Um dos colaboradores da obra foi o ex-cunhado de Suzane, Cristian Cravinhos, que concedeu 8 entrevistas. Já o ex-namorado dela, Daniel Cravinhos, também não quis falar sobre o assunto.

Para embasar a decisão judicial, o magistrado destacou que a decisão está “satisfatoriamente fundamentada e solidamente lastreada em precedente recente análogo julgado pela Corte Suprema”. Isto porque o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que biografias não podem ser retiradas de circulação depois de publicadas por configurar censura. O autor está confiante de que o livro será lançado, mas sabe que depois poderá ser novamente procurado na Justiça pela defesa de Suzane.

A defesa de Suzane ressaltou que a decisão é liminar e que já entrou com novo recurso para tentar mais uma vez impedir a publicação do livro.

O crime

Suzane foi condenada por matar os pais Manfred e Marísia von Richthofen em outubro de 2002, ao lado dos irmãos Cristian e Daniel Cravinhos. O casal foi morto a pauladas enquanto dormia. Suzane foi condenada a 39 anos de prisão porque foi considerada mentora do crime e desde 2015 está no regime semiaberto.

Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos de prisão pelos homicídios, mas já cumpre pena no regime aberto. Cristian estava na mesma situação, mas foi preso novamente e condenado a 4 anos de prisão por posse ilegal de munição e suborno de policiais após se envolver em uma confusão num bar em Sorocaba, no interior paulista.