Bolsonaro diz que tendência é a de vetar Fundo Eleitoral

Congresso aprovou Orçamento com R$ 2 bilhões para o fundo eleitoral.

IGO ESTRELA/METRÓPOLES

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (19) que havendo brecha legal vai vetar, no Orçamento de 2020, os R$ 2 bilhões aprovados pelo Congresso Nacional para o Fundo Eleitoral. Criado em 2017, em decorrência da proibição de empresas fazerem doações para campanhas políticas, o fundo prevê o uso de dinheiro público para esse fim.

“Havendo brecha vou vetar, porque não é justo esse dinheiro para campanha. O dinheiro vai para quem? Para manter no poder quem já está. Dificilmente vai para um jovem candidato. A campanha tem de ser feita em condição de igualdade”, disse o presidente ao deixar o Palácio do Alvorada nesta manhã.

Segundo Bolsonaro, esses valores seriam mais bem utilizados em áreas como a de infraestrutura. “A tendência é vetar. Não quero afrontar o Parlamento, mas pelo amor de Deus! Dá R$ 2 bilhões para o Tarcísio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura] e vê o que ele faz para o Brasil”, disse o presidente.

Maia diz: “Fique à vontade”

RAIMUNDO SAMPAIO/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
RAIMUNDO SAMPAIO/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES

Após a declaração de Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que é um direito do presidente da República, vetar o fundo eleitoral aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA). Mas alertou que os deputados podem reagir à decisão dele.

“Ele veta o que ele quer, e a gente vota a pauta da Câmara e do Senado. Foi ele que mandou a proposta, ele veta…”, afirmou. Isso porque o valor de R$ 2 bilhões aprovado pelo Congresso Nacional para o financiamento público de campanhas eleitorais foi uma proposta do próprio governo de Bolsonaro.

Questionado se os parlamentares derrubariam o veto, o presidente da Câmara não quis se posicionar. No entanto, ao ser alertado sobre uma mobilização de alguns líderes para retaliar a decisão do Executivo, Maia sustentou: “Vão retaliar. O que posso fazer? Se a equação é quem faz mais aceno popular, a Câmara tem um arsenal”.

A fala faz referência à propostas que têm apoio popular que poderiam ser aprovadas e defendidas por deputados, mesmo que tenham alto custo financeiro ao Palácio do Planalto, além de desgaste político para vetá-los. Algumas dessas pautas são chamadas pela equipe econômica de “pautas bomba”. Ele citou, por exemplo, o caso de se discutir reajuste real a salário mínimo ou a redução do preço do óleo diesel.

“Aí daqui a pouco o Legislativo vai fazer a mesma coisa. Se começar esse jogo de um querer vetar e deixar o desgaste para outro, vai gerar insegurança muito grande para a sociedade”.