Para evitar aumento de 3,2°C na temperatura, emissão de gases precisa cair mais de 7% ao ano, diz ONU

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostra que metas do Acordo de Paris não são o bastante para frear mudanças climáticas nos próximos anos.

Congestionamento de caminhões na BR-174 em Roraima — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Congestionamento de caminhões na BR-174 em Roraima — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A emissão de gases do efeito estufa precisa diminuir mais de 7% ao ano no período entre 2020 e 2030 para que o aumento na temperatura média global seja de apenas 1,5°C. Caso as emissões não sejam reduzidas nesse ritmo, mas segundo os compromissos já assumidos, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3,2°C.

A conclusão do novo relatório lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) nesta terça-feira (26) é que os acordos atuais para a redução das emissões não são suficientes para evitar mudanças climáticas no futuro.

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões afirma que, mesmo que todos as metas do Acordo de Paris sejam implementadas, as temperaturas deverão subir 3,2°C, “trazendo impactos climáticos ainda maiores e mais destrutivos”. Para alcançar a meta de 1,5°C, as metas precisam ser cinco vezes mais ambiciosas na próxima década.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), se a temperatura ultrapassar 1,5°C, eventos climáticos como ondas de calor e tempestades aumentarão em frequência e intensidade.

Para o chefe da Organização Meteorológica Mundial (OMM), as temperaturas globais podem subir neste século de 3 a 5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais se nada for feito para impedir o aumento das emissões de gases do efeito estufa.

Novas metas

O anúncio da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que as metas assumidas pelos países mais poluidores durante o Acordo de Paris precisam ser revistas antes mesmo de começarem a entrar em prática. O acordo determina que os países implementem as metas entre 2020 e 2030.

A cada ano, o relatório do PNUMA avalia a diferença entre as emissões previstas para 2030 e os níveis que seriam adequados para atingir as metas de 1,5°C e de 2°C do Acordo de Paris.

O secretário geral da ONU, António Guterres, fala a jornalistas na sede da entidade, em Nova York, na quarta-feira (18) — Foto: Reuters/Carlo Allegri
O secretário geral da ONU, António Guterres, fala a jornalistas na sede da entidade, em Nova York, na quarta-feira (18) — Foto: Reuters/Carlo Allegri

“Por dez anos, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões tem soado o alarme, e por dez anos o mundo só aumentou suas emissões”, disse o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

“Nunca foi tão importante dar ouvidos à ciência. A não observação desses avisos e tomar medidas drásticas para reverter as emissões implica que continuaremos a testemunhar ondas de calor mortais e tempestades e poluição catastróficas”.

Ainda segundo a ONU, os 20 países mais desenvolvidos do mundo respondem por 78% de todas as emissões, mas 15 deles ainda não se comprometeram com um cronograma para zerar as emissões.

Concentração de gases do efeito estufa bate recorde
A concentração dos principais gases do efeito estufa na atmosfera alcançou um recorde em 2018, anunciou nesta segunda-feira (25) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), também ligada à ONU.

De acordo com os cientistas, o dióxido de carbono (CO2), que está associado às atividades humanas e é o principal gás causador do efeito estufa que permanece na atmosfera, bateu um novo recorde de concentração em 2018, de 407,8 partes por milhão (ppm). Ou seja, nível 147% maior que o pré-industrial de 1750.

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