Brasil não reconhece reeleição de Evo Morales na Bolívia ‘neste momento’, diz Itamaraty

Apuração indicou vitória do atual presidente, que tenta quarto mandato consecutivo. Governo brasileiro apoia auditoria proposta pela OEA, que pede organização de 2º turno.

Manifestantes tomam as ruas de La Paz para denunciar 'fraude eleitoral' nesta sexta-feira (25) após apuração indicar vitória de Evo Morales nas eleições presidenciais da Bolívia — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Manifestantes tomam as ruas de La Paz para denunciar 'fraude eleitoral' nesta sexta-feira (25) após apuração indicar vitória de Evo Morales nas eleições presidenciais da Bolívia — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou nesta sexta-feira (25) que não reconhece, por enquanto, a reeleição de Evo Morales ao cargo de presidente da Bolívia. Em um tuíte, o Itamaraty justificou que apoia uma auditoria completa do primeiro turno proposta pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Considerando-se as tratativas em curso entre a OEA e o governo da Bolívia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final”, afirma o Itamaraty, em um tuíte.

O presidente boliviano Evo Morales fala durante uma entrevista coletiva no palácio presidencial La Casa Grande del Pueblo em La Paz, na Bolívia — Foto: David Mercado/Reuters
O presidente boliviano Evo Morales fala durante uma entrevista coletiva no palácio presidencial La Casa Grande del Pueblo em La Paz, na Bolívia — Foto: David Mercado/Reuters

Com 99,99% das urnas apuradas, Evo Morales conseguiu se reeleger no primeiro turno ao atingir 47,07% dos votos, uma diferença superior a dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado: Carlos Mesa obteve 36,51%.

Na Bolívia, um candidato pode se eleger ainda no primeiro turno se alcançar uma maioria simples ou se obtiver mais de 40% dos votos e uma vantagem superior a dez pontos percentuais sobre o segundo colocado na votação.

Acusações de fraude

Após acusações de fraude – principalmente devido a uma interrupção no sistema de transmissão dos resultados que durou 24 horas –, a OEA se prontificou para auditar o primeiro turno das eleições. O órgão americano e a União Europeia sugeriram que, mesmo com o resultado apontado pela apuração, a Bolívia passasse por um segundo turno.

Manifestantes interditaram ruas de La Paz nesta sexta-feira para pedir auditoria dos resultados das eleições presidenciais na Bolívia. Testemunhas da Reuters não relataram incidentes violentos – porém, na noite de quinta, manifestantes entraram em confronto com forças de segurança nas ruas da cidade.

Protesto bloquei rua de La Paz, na Bolívia, nesta sexta-feira (25) — Foto: Jorge Bernal/AFP
Protesto bloquei rua de La Paz, na Bolívia, nesta sexta-feira (25) — Foto: Jorge Bernal/AFP