PF investiga morte de mulher após conflito em terra indígena no Pará

Vítima era moradora de comunidade local e foi atingida por arma de fogo na última segunda-feira (13).

A Polícia Federal investiga o caso da mulher que morreu com tiro de arma de fogo após conflito na terra indígena Alto Rio Guamá, localizada no nordeste paraense. A PF informou nesta quinta-feira (16) que, após ser acionada pelo Ministério Público Federal, fez incursões no local para apurar a morte da vítima, ocorrida na noite da última segunda (13). As informações são do Portal G1.

A mulher era moradora da Comunidade Vila Cristal, que fica na fronteira da cidade de Viseu, às margens do rio Piriá. A PF não divulgou detalhes do ocorrido para não comprometer o andamento das investigações. Já lideranças indígenas defendem que o tiro que matou a mulher foi disparado acidentalmente, após tentativa de impedir atividade madeireira ilegal na região.

Por meio de nota, o Ministério Público do Estado do Pará informou que a área onde ocorreu o caso está localizada em território de quatro municípios, mas a parte criminal está sendo acompanhada pela Promotoria de Justiça do município de Viseu. A promotoria ainda aguarda conclusão do inquérito policial. As medidas de proteção referentes ao caso estão sob responsabilidade do MPF.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) também se posicionou sobre o ocorrido e informou que acompanha o caso por meio da unidade descentralizada do órgão na região.

‘Não estamos ameaçando ninguém, estamos no nosso território’, defende liderança Tembé
Wender Tembé, uma das lideranças da Terra Indígena Alto Rio Guamá, explica que na segunda-feira (13) um grupo de 50 guerreiros da etnia Tembé saiu para tentar impedir a atividade ilegal de madeireiros na reserva. Eles se depararam com um trator, toras de madeira e um caminhão, que foram destruídos pelos indígenas.

Wender conta que o grupo ouviu um barulho de motor de barco que subia o rio Piriá no meio da noite e se dirigiram ao local. Segundo o líder indígena, na embarcação havia um senhor armado que não cedeu ao pedido dos indígenas para que abaixasse a arma.

“Pedimos para ele abaixar a arma e o mesmo não baixou, então um outro guerreiro foi suspender a arma e ela disparou em uma senhora e aconteceu, de fato, um acidente”, justifica o Tembé.

O líder explica que a situação da terra indígena é preocupante. Eles se sentem ameaçados pelo avanço das atividades predatórias ilegais na região e afirmam que defesa da terra tem sido feita pela própria comunidade.

“Estamos aqui por ameaça, só que não estamos ameaçando ninguém. Estamos no que é nosso, no nosso território. Infelizmente somos nós indígenas, liderança, guerreiros e comunidade que hoje fazemos essa terra ser desocupada”, afirma Wender.