“Bateu no teto e caiu no meu colo”, diz mãe de menina que morreu em acidente

A terceira vítima — uma menina de 2 anos — do acidente que aconteceu há uma semana na BR 116, em SC, morreu nesta quarta-feira (5). A mãe, Danieli Torquato, única sobrevivente de um dos veículos, disse que a filha não estava na cadeirinha.

Acidente tirou a vida de três pessoas, incluindo uma criança de 2 anos, em SC (Foto: Reprodução Facebook)

O acidente grave aconteceu na última semana na BR 116, em Mafra, Santa Catarina. As informações preliminares, segundo o Corpo de Bombeiros, são de que um caminhão teria fechado a frente de um veículo ao sair da terceira pista, fazendo com que o motorista perdesse o controle e rodopiasse na rodovia.

O carro onde estava Danieli Torquato, 23 anos, de Itaiópolis, com três pessoas da família, seguia logo atrás e acabou colidinho. “Eu estava voltando de Balneário Camboriú com a minha filha, Letícia, 2 anos, e pedi para meus padrinhos buscarem a gente na rodoviária de Mafra e eles foram. Então, pouco depois das 14h30, pegamos a rodovia. De repente, só ouvi minha tia falar ‘Meu Deus’ e, quando olhei, a caminhonete já estava em cima da gente”, lembrou Danieli, em entrevista à CRESCER.

Segundo os Bombeiros, o motorista do caminhão foi embora sem prestar socorro às vítimas. Já o condutor da caminhonete, de 42 anos, teve apenas ferimentos leves.

No entanto, a família de Danieli sofreu perdas irreparáveis. “Foi horrível, traumático. Eu tinha acabado de pegar minha filha no colo porque ela estava dormindo. Estávamos sem a cadeirinha. No acidente, ela bateu no teto do carro e caiu no meu colo, e eu tive que ver ela ali, debruçada no meu colo, e eu morrendo de dor, sem poder me mexer”, conta.

O tio e a tia de Danieli, que tinham 55 e 51 anos, que estavam nos bancos da frente, sofreram múltiplas fraturas e traumatismo craniano. Eles chegaram a ser socorridos, mas não resistiram e acabaram morrendo no mesmo dia.

Carro em que Danieli estava com a família ficou destruído (Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros)
Carro em que Danieli estava com a família ficou destruído (Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros)
Tio e tia de Danieli não resistiram (Foto: Reprodução Facebook)
Tio e tia de Danieli não resistiram (Foto: Reprodução Facebook)

TERCEIRA VÍTIMA

“Eu tive uma hérnia traumática e passei por cirurgia”, diz Daniela. Já Leticia passou uma semana internada no hospital, em estado grave. “Os pediatras pediram minha presença na ala infantil e só consegui vê-la com liberação do meu médico. Não foi fácil ver minha pequena daquele jeito”, conta. Mas as esperanças de que a menina conseguisse se recuperar do acidente terminaram nesta quarta-feira (5). “O cérebro já não estava respondendo e ela não resistiu. É muito traumatizante, dói demais”, desabafou a mãe, enquanto ainda espera a liberação do corpo da filha. Danieli tem outras duas filhas de 5 e 6 anos. “Minhas outras duas filhas estão arrasadas também. Dói muito saber que ela não vai estar mais comigo”, lamentou.

Danieli com a filha, Letícia (Foto: Arquivo pessoal)
Danieli com a filha, Letícia (Foto: Arquivo pessoal)

A IMPORTÂNCIA DA CADEIRINHA

O uso da cadeirinha ao transportar crianças em veículos é fundamental para a segurança. Uma pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). De acordo com o estudo, o número de crianças de até 9 anos internadas depois de se envolverem em acidentes com automóveis caiu 33% desde a inclusão da penalidade no Código de Trânsito Brasileiro em 2008. O número de vítimas fatais da mesma idade foi reduzido em 20% no mesmo período.

Apesar de a frota de veículos no Brasil ter crescido exponencialmente — quase dobrou entre 2010 e 2017, passando de 37,2 milhões de carros para 54,7 milhões —, houve uma queda de 24% na morbidade e na mortalidade de crianças envolvidas em acidentes de automóveis, segundo dados do estudo. “Trata-se de uma regra fundamental para aumentar a segurança nas vias e rodovias e, sobretudo, para proteger a vida e a saúde das crianças com menos de 10 anos”, afirmou a presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Rodrigues Silva.

*Revista Crescer